sexta-feira, 20 de novembro de 2015

James Brown - Live at the Apollo

Acervo pessoal
Primeiro álbum ao vivo do inventor do Funk, gravado em 1962 e lançado originalmente em 1963. O lançamento em CD foi em 2004 e conta com um material extra que não vem no vinil.

Banda

Lewis Hamlin - trompete
Roscoe Patrick - trompete
Teddy Washington - trompete
Dickie Wells - trombone
William "Po' Devil" Burgess - sax alto
St. Clair Pinckney - sax tenor
Clifford "Ace King" MacMillan - sax tenor
Al "Brisco" Clark - sax tenor e barítono
Les Buie - guitarra
Lucas "Fats" Gonder - órgão
Hubert Perry - baixo
Clayton Fillyau - bateria
Probably George Sims - bateria

Faixas

1- Introduction to James Brown
2- I'll go crazy
3- Try me
4- Think
5- I don't mind
6- Lost someone
7- Medley (Please, please, please; You've got the power; I found someone; Why do you do me; I want you so bad; I love you, yes I do; Strange things happen; Bewildered; Please, please, please)
8- Night Train

Bônus tracks

9- Think
10- Medley (I found someone; Why do you do me; I want you so bad)
11- Lost someone
12- I'll go crazy


"Seu apelido, 'o cara que mais trabalha no show business', caía tão bem nele quanto a famosa roupa colante que usava no palco. Os primeiros hits de James Brown tinham sido alavancados por um regime incessante de shows: em 1962, ele fazia uma média de 300 espetáculos por ano. A entusiasmada resposta da platéia às suas apresentações fez com que ele levasse ao dono do selo, Syd Nathan, a ideia de lançar um disco ao vivo. Quando Syd recusou a proposta, Brown seguiu em frente sozinho, gastando US$ 55.700 do seu próprio bolso para gravar uma sessão no Apollo Theater, no Harlem, em outubro de 1962. Nathan acabou lançando o disco, com relutância - e Brown recuperou o investimento e ainda ganhou mais dinheiro.

Não há gordura no disco. Brown e o diretor musical Lewis Hamlim ensaiaram a banda até chegar a uma imaculada e feroz precisão; quase não há espaço para o naipe de oito metais tomar fôlego. O grupo detona quatro sucessos num piscar de olhos antes de baixar o tom no gospel da extraordinária 'Lost Someone'. Quando o show parece se aproximar de um clímax explosivo, Brown embala num medley de nove hits e deixa o palco, voltando para a agitadíssima 'Night Train'. A platéia responde aos gritos. Ninguém entende por que Nathan achou melhor usar aplausos gravados no disco original.

Live at the Apollo foi um fenômeno, chegando ao segundo lugar na parada Billboard. Dois anos depois, Brown lançou o funk e começou a acumular a maior coleção de apelidos do mundo da música." (Will Fulford-Jones - crítico de música para o livro '1001 discos para ouvir antes de morrer')


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Série '1001... antes de morrer' - Caça-níqueis ou bons guias?

Acervo pessoal
Tudo começou com o sucesso nas vendas do '1001 discos para ouvir antes de morrer'. Várias imitações tentaram surfar na onda e passou a ser feito toda uma gama de '1001 alguma coisa pra fazer antes de morrer'. Ok, o mercado capitalista é assim mesmo: uma ideia que dá certo - e entendemos como 'dar certo' vender muito - é replicada à exaustão. Mas o que realmente interessa para nós colecionadores é saber se os livros dessa serie são bons guias que nos permitirão ampliar os horizontes dos assuntos que amamos ou  são materiais descartáveis e desprezíveis.

Uma característica que penso ser típica de nós colecionadores é a de se aprofundar naquilo que amamos e colecionamos. Por conta disso, nós somos parte do público alvo desses lançamentos tipo guia. Meu primeiro foi o de 1001 discos. Explorei ele inteiro, li, fiz anotações, ouvi os álbuns (todos), gostei de muitos e não gostei de outros tantos. Achei algumas escolhas totalmente despropositadas e algumas ausências imperdoáveis, logo, exatamente o que eu esperava que fosse acontecer, rsrs.

A primeira coisa que eu acho que deve ser observada são as fontes e o que pude perceber é que são várias e isso é extremamente importante numa publicação dessas, pois evita que apenas uma visão da coisa seja explorada, afinal, por mais isento que possam ser os críticos, é praticamente impossível deixar totalmente de lado os gostos pessoais em suas avaliações, portanto quanto mais fontes melhor e o resultado final foi o mais eclético possível.

Pensando como um razoável conhecedor da música brasileira, senti a falta de inúmeros títulos nacionais muito relevantes nas listas, fora isso também não pude deixar de notar a predominância de trabalhos de língua inglesa. Por mais que reconheça que a cultura anglófona domine o mundo, não podemos ignorar as inestimáveis colaborações oriundas das mais diversas partes do globo. Alguma coisa até é mencionada, mas muito pouca para que se fizesse justiça. O '1001 Livros para Ler...' chega até a trazer um anexo com grandes obras brasileiras, mas apenas para o nosso mercado. Livros brasileiros de grande relevância para a literatura mundial foram escanteados para esse anexo que só foi publicado por aqui.

A segunda coisa é correr atrás do material, seja música, livro, álbum, filme e etc. Nessa etapa é importante deixar os preconceitos de lado. Nada de pré-julgar, primeiro conhecer, ler as justificativas e aí sim emitir um juízo. Gostar ou não é outro papo, certamente iremos concordar e discordar em vários pontos, o importante no final das contas é conhecer e dar a chance para que nossos próprios horizontes sejam ampliados.

O saldo final para mim foi bastante positivo, conheci melhor muito do que já gostava, passei a gostar de mais coisas, continuei desgostando de outras coisas, mas passei a identificar alguma qualidade mesmo sem gostar e passei a gostar de coisas que por uma razão ou outra (preconceito eu diria) eu antes não gostava.

Não acho que o que esses livros dizem deve ser seguidos à risca e nem que está tudo certinho ou que trás a "pura verdade", mas a investigação é muito válida e engrandece nossa cultura e conhecimentos.



Uma crítica que faço são as atualizações. Acredito que um álbum, música, filme ou livro devem ser julgados com tempo, e não logo depois que são lançados. Acho que os trabalhos devem ser maturados no intelecto e na sensibilidade de pelo menos duas gerações para que sua relevância seja evidenciada e reconhecida, sem riscos de leviandades. Atualizar os livros incluindo os últimos lançamentos é algo no mínimo temerário ao meu ver. E o que acontece para fechar a conta dos 1001? Itens antes relevantes simplesmente deixaram de ser para permitir a acomodação dos lançamentos mais recentes? Um absurdo na minha opinião! (Espalhadas pela postagem estão algumas das atualizações dos 1001 discos)

Você possui também algum desses livros? O que achou deles? O que você acrescentaria  se pudesse? E o que tiraria? Mande um comentário!

Até mais!


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Midiatorium - Osasco

Fachada da loja física
Como atualmente vivemos um hype do vinil e de itens antigos colecionáveis, abrir sebos passou a ser uma boa opção de negócio e investimento. Muita gente está considerando montar um sebo ao invés de uma loja de roupas por exemplo. Isso está fazendo com que um novo conceito de loja surja. Esqueça aquela ideia de lugar empoeirado e bagunçado, agora há uma preocupação com a apresentação e asseio do local, além de um maior cuidado com a conservação e organização dos itens. Entretanto, como era de se esperar, todo esse zelo vem acompanhado de um aumento considerável nos preços. Itens que há alguns anos encontrávamos por preços irrisórios, como R$ 1,00 (ou até menos, se comprássemos lotes) nesses locais "chiques" não saem por menos de R$ 50,00 a peça. Novos tempos... 

Nessa nova tendência está o 'Midiatorium', um sebo que funciona em Osasco desde março de 2015. Fiz uma visita recentemente e aproveitei para conhecer o serviço e garimpar! O local é bacana, bem organizado e conta com um atendimento bastante satisfatório (um teste que costumo fazer para checar a qualidade do atendimento é ficar perguntando o preço de vários itens e verificar como o atendente reage, rsrs). Os preços dos LPs variam de R$ 5,00 até R$ 200,00. Há discos com capas em todos os estados: do péssimo (apenas alguns casos nas seções promocionais) ao novíssimo. Encontramos discos nacionais e uma seção só de importados. Há uma organização por gêneros e gondolas de promocionais.

Os LPs são organizados por gênero

É possível conseguir descontos desde que o pagamento seja à vista e à princípio não há diferença de preços se comprarmos pessoalmente na loja física ou se comprarmos pela loja virtual, algo que não achei muito legal, penso que deveria haver um incentivo para que o comprador prefira um meio ao outro, qual meio dependeria do interesse do dono, se ele prefere vendas na loja física ou na virtual....

Visão a partir da porta da loja

O acervo não é muito grande, mas é possível encontrar ótimos itens nos preços praticados atualmente pelos sebos de grife e existe o setor essencial dos promocionais (sebo que não tem esse setor eu me recuso a comprar nele!). É possível encontrar livros, revistas, HQs, CDs, DVDs, plásticos e até equipamentos de som.

Os discos que comprei foram entregues com plásticos (externos) novos e de boa qualidade (mesmo para os discos promocionais). O estado deles estava impecável, com exceção de algumas capas que estavam em mau estado. Junto com os itens comprados, ganhei alguns mimos bacanas como um aviso de porta e um cupom de 10% de desconto para uma compra na loja virtual.


Ainda não comprei na loja virtual então não posso opinar. Posso apenas dizer que o site é bem agradável e oferece várias opções de interação como wishlists. Segue o endereço: http://www.midiatorium.com.br/.

Se você estiver passando por Osasco, não deixe de conferir, fica na Vila Yara, quase na divisa com São Paulo. O endereço completo é rua Victor Brecheret 236 loja 3 (acesso pela rua Arthur Alves de Senna). Procure pelo Michell e pode ter certeza que você receberá um ótimo atendimento.

LPs comprados:



George Benson - Breezin'
Yes - Yessongs
Genesis - Invisible Touch
Police - Syncronicity
Cure - Coletânea
(Aproveitei pra comprar plásticos externos e internos)

Até mais!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Guia do colecionador - Buscas e Compras

Foto da internet

Caros amigos leitores, antes de qualquer coisa, acho necessário deixar uma coisa bem clara: não estou aqui estabelecendo uma verdade ou afirmando que quem pensa diferente não é um colecionador. Mesmo porque posso perfeitamente mudar de opinião no futuro baseado em mais experiências e na troca de ideias com os amigos. Boa leitura!

O guia foi dividido em várias postagens temáticas. Elas poderão ser acessadas através do menu "Opinião" localizado abaixo do título do blog conforme forem sendo publicadas. Os temas escolhidos seguem abaixo e sua ordem de publicação não será necessariamente como exposto. Fique a vontade para opinar, criticar, corrigir ou acrescentar e boa leitura!

Ideal
Mídias e formatos
Cuidados e conservação
Equipamentos e ambiente
Buscas e compras
Exposição e compartilhamento
Empréstimos, doações e trocas
Apreciação
Conhecimentos

Buscas e compras

Foto da internet

Um dos grandes baratos de ser colecionador é garimpar itens preciosos para a coleção. Há vários modos e locais para fazer isso, vamos dar uma olhada em alguns deles.

Se dinheiro não é problema para você, o negócio é virar um importador. As razões principais para isso são a escassez (para não dizer a inexistência) de itens top colecionáveis no Brasil e a qualidade geralmente inferior dos produtos feitos por aqui. Claro que você pode adquirir os itens in loco, indo diretamente nas lojas estrangeiras sempre que sair do país, mas o mais comum é adquirir os itens pela Internet. Há vários sites de importadores, alguns confiáveis e outros nem tanto. Como não sou especialista em importações (porque dinheiro para mim é problema, rsrs), apenas me arrisco a indicar as lojas virtuais da Amazon, pois sua boa reputação a precede. Entretanto é preciso dizer que comprar no exterior não é algo tão simples, há uma serie de ações e cuidados que devem ser tomados. Para saber quais, indico um artigo do Blog do Jotacê chamado Guia de Compras, por meio dele você aprenderá todos os macetes para importar numa boa.

Outro modo de adquirir itens, e o mais comum, é através do "garimpo" em locais físicos e virtuais. Há lojas especializadas em vinis novos e usados, nacionais e importados espalhadas no Facebook, assim como para encontrar CDs, DVDs, BDs e etc. Outros locais para dar uma boa vasculhada são o Mercado Livre e a OLX, apenas adianto que nesses sites é muito difícil encontrar as famosas "barbadas" - tão valorizadas pelos colecionadores - , geralmente nesses sites os preços são bastante abusivos e "sem-noção". Muitos sebos também possuem comércio eletrônico, mas é prudente e recomendável investigar a reputação deles antes de sair comprando via web.

Foto da internet

Ainda no ambiente virtual, para adquirir itens novos, vale sempre dar uma conferida nas grandes redes de varejo como o Submarino, Extra, Livraria Saraiva, Livraria Cultura entre outras. Muitas vezes essas lojas fazem o que chamamos de "surto", que é colocar itens bacanas em superofertas de preço, mas por curtos períodos de tempo, por exemplo: uma vez o Submarino colocou alguns filmes em BD por apenas R$ 4,00, só que esse 'surto' durou apenas uma tarde. Para estar sempre por dentro, além das consultas regulares a esses sites, vale a pena fazer parte de grupos no Facebook que divulgam esses surtos, um exemplo é o Blog do Jotacê já citado (o enfoque desse grupo são os filmes e séries).

Por fim, o mais legal (pelo menos para mim): a busca nos locais físicos. Para itens novos, as grandes redes de livrarias e supermercados são os locais indicados, e para os itens usados e antigos há uma grande variedade de opções. O mais comum é vasculhar os sebos, neles você poderá encontrar todo tipo de itens colecionáveis. Porém, como o número de interessados está cada vez aumentando mais (principalmente os interessados em vinil), os preços nesses locais estão cada vez mais inflacionados. Muitos donos de sebos estão aproveitando a maré e o valor médio das coisas está cada vez mais alto, principalmente nas grandes cidades. Por conta disso está compensando mais visitar os sebos das cidades do interior, normalmente o acervo é menor e menos rico, mas ainda é possível encontrar ótimos preços.


Foto da internet

Vale a pena verificar também os sucateiros, ferros-velho e lojas de móveis usados. Muitas vezes acontece desses estabelecimentos receberem itens colecionáveis que seus antigos donos desprezam. É muito comum as pessoas procurarem esses locais para se livrar daquela coleção de discos que "não cabe mais em lugar nenhum da casa" ou que "só está juntando pó". Geralmente, quando encontramos itens nesses locais, os preços são bastante em conta e é possível achar de tudo, itens raros e caros (se encontrados em outros locais) não são incomuns e a satisfação de encontrá-los é muito boa!

Por fim, fique sempre atento na sua rede de contatos. Deixe todos os seus amigos, conhecidos e familiares cientes de que você aprecia esses itens, pois se algum deles um dia resolver se livrar dessas coisas, lembrará logo de você e poderá te dar um tesouro inestimável por preço irrisório ou até de graça!

Até mais!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Kansas - Power

Acervo pessoal
 Kansas é uma banda estadunidense de rock progressivo surgida em 1971 e está em atividade até os dias de hoje. 'Power' é o décimo álbum de estúdio e foi lançado em 1986 pela MCA Records. Chegou ao Brasil em 1987 e minha edição é nacional.

Esse disco foi o primeiro lançado depois que a banda sofreu uma forte reformulação em seus integrantes (dois dos membros fundadores mais influentes se converteram ao cristianismo e por conta disso largaram a banda, mas depois voltaram). Em compensação, essa nova formação conta com o guitar hero Steve Morse! (que depois se juntaria ao Deep Purple).

Banda:

Steve Walsh - Vocal e teclados
Billy Greer - Baixo e voz
Steve Morse - Guitarra
Richard Williams - Guitarra
Phil Ehart - Bateria

Verso

Lado A

1 - Silhouettes in disguise
2 - Power
3 - All I wanted (hit top 20)
4 - Secret Service
5 - We're not alone anymore

Lado B

1 - Musicatto
2 - Taking in the view
3 - Three pretenders
4 - Tomb 19
5 - Can't cry anymore

Encarte, frente

Encarte, verso

Selo

Na minha opinião, um álbum recheado de boas faixas e indico a compra para todos os fãs de rock progressivo e AOR. Se bandas como Foreigner ou Journey te agradam, aposto que esse álbum vai cair bem no seu gosto.


Você também possui esse LP? Verifique se sua edição contém todos os itens (clique nas fotos para ampliar). Não possui e pretende adquirir um dia? Confira se a edição que achou no sebo está completa!

Você tem essa edição em uma versão diferente dessa? A sua possui mais itens? Compartilhe com a gente! Fale de sua edição nos comentários!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Estou interessado em Jazz, o que devo fazer?


Gosto é basicamente (mas não unicamente) baseado em costume. Gostar de determinada música ou estilo musical passa muito por aquilo que estamos acostumados a ouvir. Seja por influência dos pais, de pessoas que admiramos, dos veículos de comunicação que repetem incessantemente determinada música ou artista, além de outros. Se durante sua vida auditiva, você não recebeu essa "influência do Jazz" (como diria Carlos Lyra), provavelmente hoje você não gosta ou não é familiar ao estilo. Diferentemente de outros tempos, hoje o Jazz não é um estilo musical, digamos, de massa. É praticamente um nicho, um gueto. Muitos olham (ou ouvem) esse estilo como algo típico de pessoas arrogantes, metidas a cult ou bacanas. Outras têm certa resistência a esse tipo de música por achar barulhenta ou confusa. Tudo isso é puro preconceito!

O Jazz é popular, é erudito, é cult, é povão, é barulhento, é suave, é pra dançar, é pra apreciar com atenção, é cantado, é instrumental, é simples, é complexo, é inovador, é conservador.... o JAZZ É TUDO ISSO E MUITO MAIS!!!


Se aventurar pelo mundo Jazz é como ir para outra dimensão, é ampliar definitivamente os horizontes. Entretanto, como acontece com quase tudo que não estamos acostumados ou que desconhecemos, a primeira impressão poderá ser de estranhamento. Tente não fazer esse estranhamento se tornar uma repulsa precipitadamente, faça dele um instigador da sua curiosidade! A curiosidade é o primeiro passo para aprender, sim, porque quando entramos em um mundo novo, há a necessidade de um aprendizado para poder usufruir desse mundo em toda sua profundidade. Sem conhecimento a apreciação se torna limitada à superfície e isso é o que acontece quando gostamos de Jazz simplesmente por ouvi-lo insistentemente até integrá-lo à fórceps ao nosso gosto, ou seja, temos um marzão todo para explorar e nos contentamos com o rasinho...

Se você chegou até aqui, é porque já tomou a pílula vermelha de Morpheus e a partir de agora vou mostrar alguns dos caminhos para esse tal de Jazz. Recomendarei audições, vídeos e leituras, aproveite a viagem!

Um excelente começo para a saga do Jazz é assistir a série produzida por Ken Burns sobre o estilo. Nela ele disseca as origens, desenvolvimentos, artistas e obras. É o documentário definitivo sobre o tema!

Acervo pessoal
Conforme assiste, pegue as referências citadas e corra atrás dos artistas e álbuns! Segue o primeiro capítulo da serie (consegui achar legendado):


Existe também uma coleção de CDs derivada do seriado e ela é dividida por artistas. As músicas foram selecionadas pelo próprio Ken Burns e perpassam toda a carreira dos músicos:

Acervo pessoal
Há uma serie de LPs lançada pela editora Abril bem no início da década de 1980 chamada "Gigantes do Jazz" que também faz um belo apanhado, não apenas sonoro, mas com muitas informações encartadas. Os fascículos dessa serie são encontrados com relativa facilidade nos sebos e seus preços costumam ser bem em conta. O difícil é encontrar a coleção completa e encadernada (fica linda na estante!).

Acervo pessoal
Outra serie interessante, só que em CD, é aquela que foi lançada em 2007 pela Folha de São Paulo. São 20 livros-CDs que narram a trajetória de alguns dos principais artistas dos gêneros.

Acervo pessoal
Existe uma vasta literatura disponível no mercado. Muitas biografias, livros técnicos, e ainda alguns que narram todo o processo de criação de algum determinado álbum clássico do estilo, como por exemplo 'A Love Supreme - A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane' escrito por Ashley Kahn e prefaciado por Elvin Jones - simplesmente o batera lendário que gravou o álbum!

Acervo pessoal
Outro livro que vale a pena indicar é o guia escrito por Emerson Lopes chamado 'Jazz ao seu alcance'. É um grande catálogo (mais de 600 páginas) onde você encontra endereços de páginas da  Internet sobre o tema, rádios e podcasts, lojas, gravadoras, revistas, uma enorme listagem de artistas e álbuns que valem a pena conhecer, diversas dicas de gravações e algumas entrevistas com músicos e profissionais do ramo. A parte da Internet já está datada, mas o restante ainda é uma rica fonte de informação. Ah, e ainda vem encartado um CD com um podcast narrado pelo próprio autor.

Acervo pessoal
Para fechar, uma última dica: quando for ouvir Jazz, procure ouvir com atenção e sem distrações. É possível ouvir Jazz enquanto bate papo com os amigos ou cuida da casa, mas procure ter alguns momentos em que a audição seja com atenção exclusiva ao álbum. Procure isolar o som dos instrumentos na sua mente, um de cada vez, note o desenvolvimento de cada artista na faixa.. Repita a música até dar conta de todos os instrumentos (nas primeiras experiências, procure grupos pequenos como trios ou quartetos). Por fim, escute novamente a faixa e se dê conta da harmonia produzida com todos os instrumento sendo executados juntos. Essa prática treinará os seus ouvidos e fará com que, com o tempo, você consiga perceber toda a riqueza de nuances que esse estilo oferece.

É isso, até mais!

sábado, 31 de outubro de 2015

Guia do colecionador - Cuidados e conservação

Foto da internet

Caros amigos leitores, antes de qualquer coisa, acho necessário deixar uma coisa bem clara: não estou aqui estabelecendo uma verdade ou afirmando que quem pensa diferente não é um colecionador. Mesmo porque posso perfeitamente mudar de opinião no futuro baseado em mais experiências e na troca de ideias com os amigos. Boa leitura!

O guia foi dividido em várias postagens temáticas. Elas poderão ser acessadas através do menu "Opinião" localizado abaixo do título do blog conforme forem sendo publicadas. Os temas escolhidos seguem abaixo e sua ordem de publicação não será necessariamente como exposto. Fique a vontade para opinar, criticar, corrigir ou acrescentar e boa leitura!

Ideal
Mídias e formatos
Cuidados e conservação
Equipamentos e ambiente
Buscas e compras
Exposição e compartilhamento
Empréstimos, doações e trocas
Apreciação
Conhecimentos

Cuidados e conservação

Foto da internet

Não basta ter, tem que cuidar. Essa é uma obviedade, mas muitos colecionadores negligenciam essa parte. Os motivos são vários: falta de tempo, desleixo, falta de conhecimento e até falta de grana. Além dos cuidados diretos com as mídias, há também que se pensar na forma e no local de acondicionamento.

LPs guardados na vertical
Cada mídia pede um tipo de cuidado. Os LPs devem ser lavados com água e sabão (detergente neutro) de tempos em tempos e deixados para secar naturalmente, ou seja, sem o uso de panos. Antes de cada utilização na vitrola, um pano seco e macio é recomendado para retirar o pó, assim como a limpeza da agulha da vitrola, só que essa com um pincel macio. Deve-se evitar encostar os dedos na parte gravada e, dependendo do disco (raridade ou antiguidade) o uso de luvas é recomendado. Após ouvidos, os discos devem ser guardados em suas respectivas embalagens e estas embalagens (capas) devem possuir os plásticos externo e interno. Muitos discos usados vêm sem os plásticos, por conta disso é necessário ter em casa uma reserva de plásticos extras (são encontrados em lojas especializadas em LPs e alguns sebos). Os discos devem ser guardados completamente na vertical ou 90 graus, pois qualquer outro ângulo pode haver o risco de entortá-los ou empená-los. O acúmulo muito grande de discos na mesma prateleira não é indicado, pois dificulta o manuseio. Prateleiras sem portas podem facilitar o acúmulo de poeira, por outro lado, prateleiras fechadas podem favorecer a presença de mofo. Para saber qual seria a melhor opção para o seu caso é necessário conhecer o ambiente em que a estante ficará, se for um local úmido use prateleiras sem portas, se houver muita poeira, opte pelas fechadas. Colecionadores mais exigentes podem até climatizar a sala artificialmente para melhor conservar os discos.

Foto da internet
CDs, DVDs e principalmente BDs são bem mais resistentes que o LP, mesmo assim alguns cuidados também são necessários. É importante sempre retirar o pó das mídias antes de executá-las. Apesar dele não deteriorar a mídia (ao que parece), o pó acaba com o leitor e demais peças do seu player. Para fazer isso utilize um pano seco e macio, mas não esfregue o pano na mídia pois as partículas de poeira podem riscá-la! Utilize o pano como se fosse um espanador. Guarde as mídias em suas respectivas embalagens e com plásticos externos (principalmente as caixas de CDs. DVDs e BDs não vejo muita necessidade, salvo os boxes de papelão). E lembre-se: nada de "dedão" nas mídias! Utilize sempre as bordas e o miolo.
Fita embolorada
As fitas VHS e K7 são as que exigem os maiores cuidados e dão muito, mas muito mais trabalho para limpar. O maior inimigo dessas mídias é o famigerado bolor, portanto é terminantemente proibido armazenar essas mídias em locais úmidos. Climatizadores e desumidificadores são ferramentas bastante úteis contra o mofo, se puder, faça uso deles! Se as fitas embolorarem, jamais as coloque em algum player pois o estrago será imediato dos cabeçotes do aparelho. No mínimo ficarão sujos e prejudicarão a qualidade da execução do conteúdo da fita e no máximo danificarão o aparelho. É possível limpar as fitas, mas é tão complicado que eu vou deixar um vídeo explicando.


Por conta da necessidade de todos esses cuidados e também para evitar que se percam, sejam roubados ou que sofram danos pelas intempéries, não recomendo que os itens da coleção saiam de casa para passear.

foto da internet
Os players também precisam de cuidados para aumentar sua vida útil. Os mais antigos pela sua própria história de uso (peças como polias, correias, cabeçotes, agulhas e etc. sofrem desgaste com o tempo) e os mais novos por serem em geral fabricados com materiais frágeis (são concebidos para serem descartáveis). Se você não tiver conhecimentos de eletrônica ou mecânica, de fato não haverá muito o que fazer, mas o mínimo necessário a ser feito não requer muitos conhecimentos e deve ser feito regularmente, que é eliminar o pó e a umidade. Um outro cuidado simples mas que muitos deixam de fazer é não empilhar os aparelhos diretamente um sobre o outro. Primeiro para evitar os riscos na carcaça. Segundo, porque muitos aparelhos que geram bastante calor (como receivers e potências) precisam dissipá-los e o meio que usam pra fazer isso é através de furos ou saídas de ar localizados geralmente em sua tampa superior. Como esses aparelhos geralmente são os mais pesados, é comum que no empilhamento eles fiquem por baixo dos outros. Isso bloqueia as saídas de calor e pode queimar o equipamento. O ideal é não colocar nada sobre os furos, nem toalhinha bonitinha. Terceiro, para que o peso de um aparelho não force o outro. Uma solução interessante é o uso de racks que permitam o aparafusamento dos aparelhos, o que faz com que haja sempre uma distância entre um e outro além de impedir que o peso de um equipamento recaia sobre o outro. Outra seria utilizar algum móvel com vários compartimentos independentes.

Foto da internet
Não estique demais os cabos quando interligar os aparelhos e mantenha as caixas acústicas a uma boa distância do toca discos pois a vibração das caixas podem ser captadas pela agulha e prejudicar a qualidade do som, mas isso é tema para um próximo tópico.

A organização do acervo deve obedecer algum critério, seja ele qual for. Isso permitirá o rápido acesso a algum item da coleção. Os mais comuns são ordem alfabética de artistas, ordenação por estilos ou até uma combinação dos dois. Os critérios podem ser vários, só não pode deixar sem critério nenhum.

Até a próxima!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Guia do colecionador - Mídias e Formatos


Caros amigos leitores, antes de qualquer coisa, acho necessário deixar uma coisa bem clara: não estou aqui estabelecendo uma verdade ou afirmando que quem pensa diferente não é um colecionador. Mesmo porque posso perfeitamente mudar de opinião no futuro baseado em mais experiências e na troca de ideias com os amigos.

O guia foi dividido em várias postagens temáticas. Elas poderão ser acessadas através do menu "Opinião" localizado abaixo do título do blog, conforme forem sendo publicadas. Os temas escolhidos seguem abaixo e sua ordem de publicação não será necessariamente como exposto. Fique a vontade para opinar, criticar, corrigir ou acrescentar e boa leitura!

Ideal
Mídias e formatos
Cuidados e conservação
Equipamentos e ambiente
Buscas e compras
Exposição e compartilhamento
Empréstimos, doações e trocas
Apreciação
Conhecimentos


Mídias e formatos

Todas as mídias são válidas e incomparáveis. Todas têm suas especificidades, características próprias, proporcionam experiências distintas e retratam sua época. A maneira como a música é gravada em um LP difere da de um CD ou K7. Todas elas têm uma concepção estética própria e que podem ser valorizadas e apreciadas. A experiência de ouvir um CD é bastante diferente daquela que passamos ao ouvir as outras mídias e vice-versa. Apreciar mais um determinado tipo em comparação aos outros é algo totalmente subjetivo. Por mais que existam características técnicas que "na ponta do lápis" ou na tela do osciloscópio possam garantir alguma superioridade de uma mídia sobre a outra, a experiência é sempre humana e individual.

Há sempre que se considerar qual foi a mídia escolhida originalmente pelos músicos para registrar seus trabalhos, pois toda a produção e gravação leva em conta as características dela. Isso não significa necessariamente que uma remasterização ou transposição de uma mídia para outra deixará o resultado final pior, mas certamente diferente. Rolo, LP, K7, VHS, DAT, CD, DVD, BD e etc são bacanas e podem gerar belas e prazerosas coleções. Optar por uma em detrimento das outras é uma escolha pessoal válida, mas que priva o colecionador de ampliar sua própria experiência.


Já sobre os formatos a coisa é diferente. Fora os originais, penso que os demais não tem valor colecionístico. Os arquivos MP3, FLAC e outros, entretanto, têm sua utilidade. Um item de coleção não deve sair de casa, nem para passear de carro. Devem ir do local de armazenamento para o respectivo player e dele de volta ao local de armazenamento. Sendo assim, esses formatos podem ser aproveitados para levar as músicas com você, ou seja, no celular, Ipod, pen-drive, CD-R e etc. Outro uso interessante é quando você quer presentear ou divulgar músicas aos amigos (falarei sobre emprestar itens em outro tópico). Finalmente, e talvez o mais importante, eles servem pra que conheçamos as músicas ANTES de adquirir as mídias físicas. Não acho que um colecionador deva sair por aí comprando tudo, deve saber antes minimamente o que está adquirindo. Para tomar esse primeiro contato com as obras, não acho bacana baixar músicas ou discos - embora confesse que já fiz muito isso no passado -, para esse fim, os serviços de streaming como o Spotfy, Youtube e outros servem satisfatoriamente e hoje em dia são extremamente acessíveis a todo o colecionador interessado, logo não há mais a necessidade de baixar. Por outro lado, ter um acervo de arquivos MP3, FLAC ou outro mais interessante no computador pode ser bastante conveniente, mas não de arquivos baixados e sim conversões de arquivos oriundos dos itens originais da sua própria coleção.

Até o próximo tópico!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ian Christe - Heavy Metal A História Completa

Acervo pessoal
Tradução Milena Durante e Augusto Zantoz. - São Paulo: ARX, Saraiva, 2010.
Páginas: 480
Orelha: Andreas Kisser
Autor: Ian Christe é jornalista e músico nas horas vagas. Escreve para as principais publicações sobre música dos Estados Unidos, como a revista especializada em Heavy Metal Kerrang!, e as voltadas para a cultura pop, como Wired e Spin.

"Para os desajustados e os esperançosos" Assim é a dedicatória do livro. "A história completa do gênero mais pesado de todos os tempos é contada nesse livro - desde os primórdios até os desdobramentos do estilo nas décadas seguintes. Repleto de fotos, o livro também traz listas dos melhores discos de cada década e das melhores músicas de cada subgênero (glam, death, melódico), datas importantes, segredos de bastidores... enfim, a memória e o futuro do metal!" (retirado da contracapa).

Fotos do miolo do livro em papel de qualidade
Linha do tempo headbanger
Datas de acontecimentos importantes em cada capítulo
Listas, listas e mais listas. Como, por exemplo, os 25 melhores discos de heavy metal de todos os tempos:


AC/DC - Back in black
Angel Witch - Angel Witch
Bathory - Under the sign of the black mark
Black Sabbath - Black Sabbath
Carcass - Heartwork
Celtic Frost - To mega therion
Destruction - Infernal Overkill
Dream Death - Journey into mystery
Emperor - In the nightside eclipse
Exodus - Bonded by blood
Holy Terror - Terror and submission
Immortal - Battles in the North
Iron Maiden - Killers
Judas Priest - Unleashed in the East
Kreator - Terrible certainty
Mercyful Fate - Melissa
Metallica - Ride the lightining
Morbid Angel - Formulas fatal to the flesh
Mötley Crüe - Shout at the devil
Motörhead - Overkill
Napalm Death - Fear, emptiness, despair
Rainbow - Rising
Saxon - The eagle has landed
Slayer - Hell awaits
Voivod - Dimension hatross
Possui todos esses discos em sua coleção? Falta algum? Já ouviu todos? O que achou? E da lista?

Já leu o livro? Tem também?

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